DIAMANTE

veja_essa

MULHERES TERRÍVEIS


HAMLET II:11

Duvida da luz dos astros
De que o sol tenha calor
Duvida até da verdade
Mas confia em meu amor

Hamlet II:11
William Shakespeare

Orkut/Scrap by
KJ

NOUVELLE VAGUE


Nouvelle Vague - In a Manner of Speaking... Love
O dia em que eu for abduzido e os alienígenas me perguntarem qual a mais bela e a que eu mais gosto... A que está tatuada em mim para sempre...

LÁ VEM ELE

Dente de ouro
Roupa de couro
Bigodão

Cabeleira cometa
Pinta de proxeneta
Atrevidão

Olhar de lata
O bizarro pirata
Peludão

E que acontece?

Absolutamente nada.
Só fica ele
Com cara de empada.

DAX

TEMPO INFIEL

As horas escorrem loucamente
Os minutos pulsam freneticamente
E os segundos se atropelam.

E no entanto o tempo nada arrasta por aqui:
A solidão
O frenesi

O dia em que partistes.

DAX

SORTE E AZAR

As tatuagens sulcadas nas janelas translúcidas dos templos
A lua de prata que outrora se inclinou sobre a tua face
O desejo inútil que levará o condenado a ruir no cadafalso
etc. etc. etc.
Tudo é nada neste instante
Só o tempo permanece.

As fluídicas horas e as frações que elas carregam no ventre
Nada mais e kabum! de repente
Tudo volta a ser igual como era antes.

Luz
Cristal
Vida
Incandescência
Pó Semente...

Tudo volta a ser igual como era antes sempre
Sorte e azar eternamente.

DAX

ENDEREÇO

Maria amava João mas João não amava Maria. Quando João passou a amar Maria, Maria mudou e deixou de amar João. E lá se foi então uma vida inteira de desencontros, o amor água de João e o amor óleo de Maria, até que João morreu.
Nem bem um mês, Maria também se foi. E foi justo aí, finalmente, que João e Maria descobriram que sempre se amaram.
Hoje vivem felizes da vida para sempre em meio à eternidade, na Estrela Azul, Quadra do Amor Infinito, CEP MJ 21g.

DAX

FEITIÇO

Scrap/Orkut by DAX

Pracinha do gnomo que gosta de bala de hortelã - já era tarde e não havia ninguém por lá, só eu e Misgreen, a rã.
E lá estava ela toda esquisita, dentinhos afiados nos cantos da boca red, aquela acinzentada lua cara de bad olhando cinicamente pra mim.
Estrelas se emaranhando no céu azul cetim, nuvens de colombina e arlequim, cometas estolando sobre as escadas de marfim, uma zorra sideral, enfim.
Por toda a parte o teu cheiro no ar e ainda, olha só, flutuando feito asa delta sobre o repucho no jardim, adivinha quem?
Ela mesmo, a miserável musa da porfia, dona Éris faiscando de alegria, metida numa mini-saia do além.
Então pensei – Mas que diabos está acontecendo nesse trem?
E a voz respondeu: – Feitiço Dax, feitiço... Da próxima vez que você demorar em mandar um scrap pra ela, vira um sapo banguela. Aí sim você vai ver o que é bom pra tosse; agora acorde que já é tarde, e te coce!

CATANDO PALAVRAS

Pra sair de fininho hoje a noite.

DE CAMBULHADA

Palavra azul: "cristal"
Palavra amarela: "poente"
Palavra vermelha: "atrevido"
Palavra verde: "repentinamente"
Palavra pink: "olá"
Palavra cinza: "aziágo"

CLICHERIA

"Até porque..."

"ALCANTILADO"

1.Lavrado a cantil ; talhado a pique. 2.Escarpado, íngreme, escabroso: “cheguei à beira da cachoeira, precipitada em despenhadeiro alcantilado” (Alphonsus de Guimaraens, Obra Completa, p. 399). 3.Alto, empinado... segundo o Aurélio.

PALAVRAS SOBRE PALAVRAS

É uma deformação da solidão extrema o acabar por nos fazer crer na imaginação que o nosso monólogo íntimo possa ser percebido ao longe sem palavras.
Saint-Jonh Perse

Acontece às vezes que uma flecha lançada ao acaso atinge o alvo que o arqueiro não queria; muitas vezes uma palavra pronunciada sem desígnio lisonjeia ou magoa um coração infeliz, dividido entre o prazer e o medo.
Walter Scott

A paz é uma palavra vazia de sentido; do que precisamos é de uma paz gloriosa.
Napoleão

O pensamento voa e as palavras vão a pé: eis o drama do escritor.
Julien Gree

Nada tem de mau, antes é altamente louvável, ir buscar a uma língua estrangeira palavras e sentenças, e depois adaptá-las à nossa.
Joachim Bellay

Para o corpo doente é necessário o médico, para a alma, o amigo: a palavra afetuosa sabe curar a dor.
Menandro

O amor? Começa com grandes palavras, continua com palavrinhas, termina com palavrões
Édouard Pailleron in "Petite Pluie"

PALAVRAS SOBRE PALAVRAS

Nenhum de nós sabe o que existe e o que não existe. Vivemos de palavras. Vamos até à cova com palavras. Submetem-nos, subjugam-nos. Pesam toneladas, têm a espessura de montanhas. São as palavras que nos contêm, são as palavras que nos conduzem. Mas há momentos em que cada um redobra de proporções, há momentos em que a vida se me afigura iluminada por outra claridade. Há momentos em que cada um grita: - Eu não vivi! eu não vivi! eu não vivi! - Há momentos em que deparamos com outra figura maior, que nos mete medo. A vida é só isto?
Raúl Brandão

A palavra foi dada ao comum dos mortais para comunicar os seus pensamentos e aos sábios para os disfarçar.
"Sermão" - Robert South

Estamos enterrados em convenções até ao pescoço: usamos as mesmas palavras, fazemos os mesmos gestos. A poeira entranhada sufoca-nos. Pega-se. Adere. Há dias em que não distingo estes seres da minha própria alma; há dias em que através das máscaras vejo outras fisionomias, e, sob a impassibilidade, dor; há dias em que o céu e o inferno esperam e desesperam. Pressinto uma vida oculta, a questão é fazê-la vir à supuração.
Raúl Brandão

A PALAVRARIA

Lipi era calada. Difícil saber o que pensava. Lupi, ao contrário, jamais economizou palavras, e além do incompreensível hábito de cansar quem se dispusesse a ouvi-la também era mal humorada. Seja lá como for, com lápis, papel e borracha nós três costumávamos criar mundos imaginários.
E foi assim que passamos um bom tempo nos divertindo dentro daquele arquivo inexplicável, até o dia em que eu imaginei um sujeito mais inexplicável ainda para habitar dentro dele.
Dono de uma Palavraria, além de comprar e vender palavras a criatura também desentortava ésses e os transformava em zês, retificava acentos, extraia érres, permutava clichês, recondicionava frases, barganhava metáforas... Numa palavra: palavras eram com ele mesmo.
E a verdade é que as atividades na Palavraria acabaram se intensificando rapidamente. Nem bem abriu as portas, já se podia ver dezenas de prateleiras abarrotadas de vidros e caixas para acondicionar a enorme quantidade de mercadorias que não paravam de chegar e circular entre os fregueses.
E vejam só o armazenamento. As palavras coloridas, por exemplo, eram guardadas em vidros coloridos, alegres e belos como os pássaros. Os frascos transparentes continham sinais diminutos, tais como as cedilhas, os tremas e os hífens, e os frascos cinzentos abarcavam grande número de signos igualmente acinzentados e difusos, tais como a tristeza, a melancolia e o tédio. Sem falar nas palavras rubras como a ira, a cólera e todos os seus descendentes, especialmente acomodadas em herméticos cubos de madeira de lei, reforçados com tirantes de metal lustroso.
E ainda haviam as palavras velhinhas que foram abandonadas pelo uso, descansando em pequenas caixas douradas forradas com cetim azul, próximas das janelas mais ensolaradas da Palavraria.
A vritrine então era um show à parte. Sempre repleta de ofertas, sempre o predomínio de palavras coloridas feito alegria, felicidade e esperança que volta e meia andavam por lá, ao lado de resplandecentes "eu te amo", escritos em ouro e prata com letras tão carinhosas que não havia o que chegasse.
Como é de se imaginar, com o aparecimento da Palavraria as coisas mudaram radicalmente para melhor.
Agora, diante de todo aquele magnífico arsenal da Palavraria ao alcance das mãos, nossos escritores e poetas imaginários estavam mais felizes do que nunca, todos eles saltitando de alegria pelas ruas de papel do nosso arquivo inexplicável.
Mas Lupi não gostou nada dessa idéia, e passou a ironizá-la com sarcásmo. Daí para uma agressão que chegou ao limite não demorou muito, e Lipi, como sempre, presenciando tudo calada, só os olhinhos acesos.
Entretanto, desta vez Lipi levou azar.
Não sei como, desta vez ela não conseguiu dissimular a realidade que sempre existiu lá no fundo dos seus silêncios, e eu acabei descobrindo tudo, por pura sorte.
Descobri finalmente que Lipi e Lupi não eram diferentes como eu sempre imaginei que fossem. Nem um pouco. Essencialmente, elas eram uma coisa só, já que não passavam de variações de um mesmo desenho, que eu mesmo havia feito e estraviado há muito tempo atrás das páginas do nosso arquivo, e da minha memória também.
E o fato é que até então todas as vezes que eu estive na bica para dar um fim derradeiro em Lupi e suas grosserias, Lipi sempre interferiu de um modo muito eficaz para que a borrachada não se consumasse: ela simplesmente sentava sobre um dos vidros coloridos da Palavraria e ficava lá, imóvel e no mais absoluto silêncio, simplesmente olhando para mim com seus olhinhos borrados de grafite 2B, encharcados de lágrimas.
Mas agora estava tudo muito claro, toda farsa revelada, e eu mandei ver naquele mini demônio com vontade, e no duplo dele também.
Ainda lembro nitidamente do instante em que meti a mão numa das caixas de madeira da Palavraria, antes de fulminar a ambos com uma borracha Antuérpia azul que se encontrava no canto direito da mesa.
Apaguei com raiva e a seguir soprei aquelas cinzinhas nefastas diretas para o chão, varri a sujeira e me mandei.
Porém, antes de sair derramei de volta as palavras rubras que ainda estavam fritando na minha mão e, por precaução, desenhei uma corrente com um cadeado em torno da caixa de onde eu as havia retirado, sem esquecer de apagar a chave para que elas não pudessem escapar jamais.
Depois fui embora daquelas páginas, e nunca mais voltei.

DAX